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sexta-feira, 10 de março de 2017

*CRÓNICA DO RALI: MONDIM DE BASTO, OUTRA VEZ PENALIZAÇÃO?

Mondim de Basto foi o palco para o primeiro rali (a sério) do ano de 2017 para a Encontro Team. Um novo carro, um novo projecto, mais ambicioso e motivador, mas também mais e maiores responsabilidades.
A época começou em Mondim, num rali que havíamos já disputado em 2016, então a bordo de um Peugeot 206 GTi. Na ocasião, a prova começou com algumas atribulações mecânicas das quais resultaram para nós numa "violenta" penalização que nos atirou desde cedo para um honroso último lugar da classificação geral.
Para este ano a aposta recai num Subaru Impreza, um carro que nos leva ao imaginário de outros tempos com os saudosos "555" e logo à partida, disputar num carro destes as fantásticas classificativas ao redor do Alvão era para mim por si só motivo de grande ansiedade. Nunca me canso de realçar o quão belas são aquelas paisagens e o quão espetaculares são os troços escolhidos pelo CAMI para este rali. Só faltou mesmo ter a "ajuda divina", mas nisto dos ralis cada vez mais se percebe que o nosso querido São Pedro não é muito aficionado dos automóveis. Vai daí, tomai lá uma boa dose de chuva e nevoeiro à farta...
Mas eram as condições que tínhamos, e era sob essa condicionante que nos iríamos fazer à estrada! O nervoso miudinho rapidamente deu lugar à adrenalina em bruto e lá nos fizemos à primeira pec. 
Como um mestre, o meu piloto Cláudio Ornelas não se intimidou com a chuva e nevoeiro e num bom ritmo (mas seguro) efectuamos o primeiro troço sem problemas e constatando que o Subaru estava a portar-se bem depois da "cirurgia" ocorrida durante o defeso.

Com a motivação em alta, depressa chegamos à pec 2. Aqui o nevoeiro parecia perfeito para um qualquer D. Sebastião (com apelido Loeb ou Ogier) brilhar nos cerca de 8 quilómetros de pura condução de Covelo.
Curva após curva lá nos íamos conseguindo aguentar sem saber muito bem o que pisávamos, tentando sobretudo não terminar o nosso rali mais cedo. E eis que numa sequência de esquerda com direita, uma "prenda granítica" deixada em plena trajectória por algum piloto mais afoito que nos antecedia nos fazia saltar. Saltou o carro e saltou o coração pois logo a seguir quem saltou foi todo o ar que estava no interior da roda dianteira direita.
Furamos!! Vamos com calma até ao fim do troço e mudamos a roda na ligação... Desapontados mas com a certeza de que o plano iria dar certo, lá seguimos de 4 piscas pela segunda metade do troço até ao STOP.

A minha primeira mudança de roda num rali, aparentemente uma tarefa simples rápidamente me mostrou que os ralis também têm dificuldade fora da competição: um macaco pouco colaborante parecia ser fraco demais para o peso do carro mas com o relógio a avançar ao ritmo dos pilotos mais rápidos, não poderíamos vacilar. Roda ao sítio e marcha retomada que se faz tarde... pensávamos nós!
A trepidação mostrava-nos algo errado com aquela roda e nova paragem para um reaperto de urgência (e os minutos a passarem).
Naqueles instantes a ligação até ao parque de assistência parecia interminável e com as peripécias sofridas, dificilmente iríamos conseguir chegar a horas ao controlo. Tal como em 2016, o fantasma da penalização virava real sob a forma de 20 segundos (uma ninharia comparado com o tempo perdido na pec).

Chegámos à assistência, rodas novas no sítio, uma revisão geral ao carro para confirmar que tudo estava ok e siga para as segundas passagens por "Ermelo" e "Covelo". A estratégia mantinha-se: evitar erros no meio de tanta chuva, lama, pedras e nevoeiro, mas os objectivos eram agora simplesmente terminar já que na Classe a concorrência também tinha infelizmente ficado pelo caminho. 
Em Ermelo 2, o ritmo foi bastante bom e a progressão deu-se de forma gradual. O Cláudio mostra-se cada vez mais à vontade com este 4x4 e o ritmo adquirido também ajuda a tentar explorar melhor os limites. Um verdadeiro gozo correr assim!
Faltava então a derradeira classificativa, Covelo 2 e se nada havia a fazer quanto a resultados, não queríamos deixar de aproveitar para, dentro do que o nevoeiro permitisse, dar o melhor nesta fase final do rali. Errado! O nevoeiro na parte inicial do troço era demasiado para tentar fosse o que fosse, as curvas, todas elas ficavam camufladas de branco e assim sendo, a pilotagem deu lugar ao "ir apalpando terreno". Até que...

Sensivelmente na mesma zona onde havíamos furado na primeira passagem (mais metro menos metro), de repente o motor perde a força e uma gigantesca nuvem de fumo fazia soar todos os nossos alarmes. O turbo acabava de entregar a alma ao criador e punha em causa todo o esforço de terminar a prova. Chegamos a encostar e a ponderar o abandono para não danificar o motor, mas numa decisão imediata aproveitamos o facto do troço ser a partir daquele local quase sempre a descer e o embalo levou-nos a cruzar a linha de meta. Terminava o troço mas não a epopeia: era preciso levar o carro pela longa ligação até à assistência e depois coloca.lo em parque fechado. Tudo isto sem que o motor partisse!!
Vamos devagar, sem forçar, numa condução de verdadeira poupança, sempre com o fumo branco como companhia (qual nevoeiro, qual quê?) até chegar ao nosso éden, onde a equipa técnica da A. Pereira Competições se "atirou ao lobo" numa luta em que tínhamos de levar a melhor. O pódio final é já ali.

Com uma curta ligação até à bonita praça frente à Câmara Municipal de Mondim de Basto, lá conseguimos cumprir o protocolo e receber das mãos do Sr. Presidente do CAMI um bonito troféu correspondente à vitória na classe X3-13. Está feito, conseguimos!
Foi uma aventura para recordar, uma batalha complicada contra muitos factores mas "dos fracos não reza a história" e para todos os efeitos, os troços de Mondim de Basto vão ocupar sempre um lugar de destaque no meu ranking dos lugares mais apaixonantes.
Não posso deixar de agradecer, em meu nome e em nome do meu piloto Cláudio Ornelas, ao Jacinto Oliveira e ao Sérgio Aguiar pela brilhante solução que nos permitiu prosseguir em prova, tal como à equipa da A. Pereira Competições e à Recirosa Competições, peças chave para que a nossa presença neste rali fosse uma realidade.
Um muito obrigado também aos nossos patrocinadores e a todos aqueles que nos apoiam, esperamos melhorar e vamos trabalhar juntos nesse sentido.
Uma palavra final para os nossos conterrâneos em prova, o João Alves e o José Rodrigues, azarados neste rali. Animo, rapazes!
Até Pedras Salgadas...

*por Miguel Castro - Navegador da Encontro Team

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